- Dado real
- Segundo o IBRE/FGV, com base em dados do IBGE, o índice de Alimentação no Domicílio subiu de 100 para 167,5 entre 2020 e junho de 2026 (alta acumulada de 67,5%), acima do IPCA geral no mesmo período (100 para 143,3, alta de 43,3%). Por item, os acumulados desde 2020 são: óleo de soja +106,9%, leite longa vida +82,3%, farinha de mandioca +77,3%, carnes (geral) +56,3%, feijão carioca +56,6%, arroz +51,9%, pão francês +48,2%.
Fonte: Blog do IBRE/FGV, 'Alimentos no domicílio: quando a inflação pesa mais no prato do que no índice' (30/06/2026 e 01/07/2026), com dados do IBGE
- Salto lógico (não validado)
- A imagem atribui 100% dos aumentos de preço entre 2020 e 2026 à gestão Lula, com legendas explícitas ('Brasil que produzia e custava menos' vs. 'Brasil que impõe e faz você pagar mais') e a conclusão de que impostos e o 'sistema' atual seriam a causa.
Onde quebra: Dois problemas distintos e cumulativos. Primeiro, quando comparáveis a dado oficial, os percentuais da imagem aparecem sistematicamente inflados — em alguns casos próximos do dobro do valor real: arroz (imagem: 123%; IBGE/IBRE: 51,9% — mais que o dobro), carnes (imagem: 112%; IBGE/IBRE: 56,3% — quase exatamente o dobro), pão francês (imagem: 96%; IBGE/IBRE: 48,2% — exatamente o dobro), leite integral (imagem: 130%; IBGE/IBRE, leite longa vida: 82,3% — inflado, ainda que não exatamente dobrado). A única aproximação razoavelmente próxima é óleo de soja (imagem: 112%; IBGE/IBRE: 106,9%). Não localizei dado oficial equivalente para batata inglesa, feijão preto (a fonte oficial usa feijão carioca, variedade diferente), açúcar cristal, café e frango para confirmar ou refutar os números específicos da imagem nesses itens. Segundo, e independente da precisão dos números: o marco de 2020 antecede a posse de Lula (01/01/2023) em três anos inteiros — 2020, 2021 e 2022 foram integralmente governo Bolsonaro. Parte considerável da inflação de alimentos nesse período tem causa documentada em choques globais sem relação com política tributária do governo em exercício: a geada histórica que atingiu lavouras de café em Minas Gerais em julho de 2021, e a guerra na Ucrânia iniciada em fevereiro de 2022, que elevou preços globais de trigo (afetando pão) e fertilizantes (afetando toda a cadeia agrícola) — ambos os eventos ocorridos sob o próprio governo Bolsonaro, mas cujo efeito de preço se estende e acumula até 2026, sendo contabilizado inteiramente na coluna 'Lula' pela forma como a imagem está montada.
"O amor custou caro": onde os números da imagem se afastam do dado oficial
Por que isso não é "defender o governo atual"
Documentar que os números da imagem estão inflados e que o recorte temporal inclui três anos do governo anterior não é o mesmo que dizer que a inflação de alimentos não é grave, nem que a política econômica atual esteja isenta de crítica. O próprio dado oficial mostra um problema real e severo: alimentação subindo 24,2 pontos percentuais acima da inflação geral em seis anos, com impacto desproporcional em famílias de renda mais baixa. O que esta entrada isola é a diferença entre esse problema real, documentado, e uma peça que dobra os números e atribui integralmente a um único governo um período que não lhe pertence inteiro.
O padrão de "dobrar o número" merece nota à parte
Quatro de cinco itens verificáveis contra fonte oficial nesta entrada (arroz, carnes, pão francês, leite) apresentam valor na imagem próximo do dobro do valor real — um padrão consistente demais para ser mero erro de arredondamento, e que se repete de forma semelhante ao que já vimos em outras entradas deste catálogo com números redondos e "impressionantes" sem link funcional por trás.
O que fica de fora
Não verifiquei, até a data desta entrada, os valores específicos de batata inglesa, feijão preto, açúcar cristal, café e frango citados na imagem — a fonte oficial consultada usa recortes ligeiramente diferentes (feijão carioca em vez de preto) ou não cobre o item. Se dado oficial equivalente for localizado, esta entrada deve ser atualizada para confirmar ou refutar esses itens especificamente, em vez de generalizar a partir dos cinco itens já verificados.
Ver também
CR-0005 — mesmo padrão de comparação temporal mal colocada em torno de dado econômico; CR-0004 — mesmo padrão de número aparentemente inflado sem fonte oficial equivalente.
Atualização pendente
Localizar dado oficial (IBGE/IPCA) para batata inglesa, feijão preto (especificamente, não carioca), açúcar cristal, café torrado e frango inteiro, para completar a verificação item a item da imagem.
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